Escolher o viscosímetro errado é um dos motivos mais comuns de resultados que não se repetem, laudos questionados e retrabalho no controle de qualidade. Cada tipo de viscosímetro mede a viscosidade por um princípio diferente, e cada princípio funciona bem para um grupo específico de amostras.

Neste guia, você vai conhecer os 6 tipos de viscosímetro mais usados em laboratórios e indústrias, ver as normas que orientam cada método e saber, de forma prática, qual modelo atende a sua rotina.

O que é um viscosímetro?

Viscosímetro é o instrumento que mede a viscosidade de um fluido, ou seja, a resistência que ele oferece ao escoamento. Alguns tipos medem a viscosidade dinâmica (em mPa·s ou cP) e outros a cinemática (em mm²/s ou cSt), e essa é a primeira pista para escolher o equipamento certo.

Fluidos newtonianos e não newtonianos: o ponto que define a escolha

Se a viscosidade da amostra é constante, como em óleos e solventes, ela é newtoniana, e os métodos por escoamento (capilar, copo e queda de esfera) atendem bem. Se a viscosidade muda com a agitação, como em cremes, molhos e tintas, ela é não newtoniana, e o método indicado é o rotacional.

Tipos de Viscosímetro: Qual Usar?

1. Viscosímetro rotacional

Mede o torque necessário para girar um spindle (haste) imerso na amostra, a uma velocidade controlada. O equipamento converte esse torque em viscosidade dinâmica.

Indicado para: cosméticos, alimentos, farmacêuticos, tintas, resinas, adesivos e lubrificantes, incluindo fluidos não newtonianos.

Vantagens: mede fluidos newtonianos e não newtonianos, cobre faixas amplas com a troca de spindle e rotação, e permite avaliar o comportamento da amostra em diferentes velocidades.

Limitações: investimento maior que os modelos de vidro e necessidade de verificação periódica com óleo padrão.

Uma variação é o viscosímetro de cone e placa, usado quando se trabalha com volumes pequenos ou altas taxas de cisalhamento.

Saiba mais no guia o que é um viscosímetro rotacional ou veja os modelos de viscosímetro rotacional.

Viscosímetro Rotacional para Poucas Amostras 4

2. Viscosímetro capilar

Mede o tempo que um volume definido de líquido leva para escoar por um tubo capilar de vidro, sob a ação da gravidade. O resultado, multiplicado pela constante do tubo, dá a viscosidade cinemática.

Indicado para: óleos lubrificantes, combustíveis, solventes, polímeros em solução e ensaios normatizados de fluidos newtonianos.

Vantagens: é método de referência, com alta precisão e baixo custo, e não depende de energia elétrica.

Limitações: não serve para fluidos não newtonianos e exige banho termostático para manter a temperatura estável.

Os modelos mais conhecidos são o Viscosímetro Ostwald e o Viscosímetro Cannon-Fenske, este com versões para líquidos transparentes e opacos. Veja mais no guia sobre viscosímetros Cannon-Fenske.

3. Copo Ford (viscosímetro de copo)

Mede o tempo, em segundos, que a amostra leva para escoar por um orifício calibrado no fundo do copo.

Indicado para: tintas, vernizes e revestimentos, principalmente no controle rápido de produção e na diluição antes da aplicação.

Vantagens: simples, rápido e usado no chão de fábrica.

Limitações: resultado em segundos, não em unidade absoluta de viscosidade, e precisão menor que a dos métodos de laboratório.

Entenda o método no guia o que é um copo Ford.

4. Viscosímetro de queda de esfera

Mede o tempo que uma esfera leva para percorrer uma distância definida dentro de um tubo com a amostra. O modelo mais conhecido é o de Höppler.

Indicado para: líquidos transparentes e newtonianos, como soluções, óleos e bebidas.

Vantagens: princípio simples e boa repetibilidade em líquidos transparentes.

Limitações: exige amostra transparente, para acompanhar a esfera, e não se aplica a fluidos não newtonianos.

5. Viscosímetro vibracional

Mede o amortecimento de um sensor que vibra dentro do fluido. Quanto maior a viscosidade, maior o amortecimento.

Indicado para: monitoramento contínuo em linhas de processo e tanques.

Vantagens: leitura em tempo real e integração com automação industrial.

Limitações: custo elevado e uso mais voltado ao processo do que à rotina de laboratório.

6. Viscosímetro de bolha

Compara o tempo de subida de uma bolha de ar em tubos padronizados com a amostra e com padrões de referência.

Indicado para: verificação rápida de vernizes, óleos e resinas transparentes.

Vantagens: muito simples e de baixo custo.

Limitações: resultado comparativo e restrito a líquidos transparentes.

Tipos de Viscosímetro: Guia Completo para Escolher o Modelo Certo

Como Escolher o Viscosímetro Ideal

Três perguntas resolvem a maior parte das escolhas:

  1. A amostra é newtoniana ou não newtoniana? Se a viscosidade muda com a agitação (cremes, géis, molhos, tintas), o caminho é o viscosímetro rotacional. Se é constante (óleos, solventes, combustíveis), o capilar atende com alta precisão e menor custo.
  2. Qual a faixa de viscosidade e o volume de amostra? Amostras muito viscosas ou com pouco volume disponível pedem rotacional com spindles adequados ou modelos para poucas amostras. Líquidos de baixa viscosidade funcionam bem em capilares.
  3. Existe norma ou cliente exigindo um método específico? Se o laudo precisa seguir ASTM, ISO ou farmacopeia, o método é definido pela norma. A tabela abaixo mostra as principais.

Tipos de Viscosímetro: Guia Completo para Escolher o Modelo Certo

Perguntas frequentes sobre tipos de viscosímetro

Qual o tipo de viscosímetro mais usado em laboratório?
O rotacional, por medir fluidos newtonianos e não newtonianos em faixas amplas. Em laboratórios de petróleo e lubrificantes, o capilar é o padrão.

Qual a diferença entre viscosímetro e reômetro?
O viscosímetro mede a viscosidade em condições definidas. O reômetro faz uma caracterização mais completa do comportamento do material (como elasticidade e tensão de escoamento) e é usado principalmente em pesquisa.

Qual viscosímetro mede viscosidade cinemática?
O capilar, como o Ostwald e o Cannon-Fenske. O rotacional mede a viscosidade dinâmica.

O copo Ford substitui um viscosímetro de laboratório?
Não. Ele serve para controle rápido de produção. Para laudos e desenvolvimento, use rotacional ou capilar.

Por que a temperatura importa na medição?
A viscosidade da maioria dos líquidos cai quando a temperatura sobe. Por isso, a medição deve ser feita em temperatura controlada, com banho ultratermostático ou sensor de temperatura. Veja como a temperatura influencia a viscosidade.

Viscosímetros com a Splabor

Com mais de 25 anos de mercado e certificação ONIP, a Splabor fornece viscosímetros rotacionais e capilares para laboratórios de controle de qualidade, pesquisa, universidades e indústrias. Com sede em Presidente Prudente/SP, atendemos clientes em todo o Brasil.

Fale com a nossa equipe para indicar o tipo e o modelo mais adequado para a sua amostra:

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E-mail: cotacao@splabor.com.br

Referências

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10441: Produtos de petróleo – Líquidos transparentes e opacos – Determinação da viscosidade cinemática e cálculo da viscosidade dinâmica. Rio de Janeiro: ABNT.

ASTM International. ASTM D1200: Standard Test Method for Viscosity by Ford Viscosity Cup. West Conshohocken: ASTM.

ASTM International. ASTM D1545: Standard Test Method for Viscosity of Transparent Liquids by Bubble Time Method. West Conshohocken: ASTM.

ASTM International. ASTM D2196: Standard Test Methods for Rheological Properties of Non-Newtonian Materials by Rotational Viscometer. West Conshohocken: ASTM.

ASTM International. ASTM D445: Standard Test Method for Kinematic Viscosity of Transparent and Opaque Liquids (and Calculation of Dynamic Viscosity). West Conshohocken: ASTM.

ASTM International. ASTM D446: Standard Specifications and Operating Instructions for Glass Capillary Kinematic Viscometers. West Conshohocken: ASTM.

ISO – International Organization for Standardization. ISO 2555: Plastics – Resins in the liquid state or as emulsions or dispersions – Determination of apparent viscosity using a single cylinder type rotational viscometer method. Genebra: ISO.

ISO – International Organization for Standardization. ISO 3104: Petroleum products – Transparent and opaque liquids – Determination of kinematic viscosity and calculation of dynamic viscosity. Genebra: ISO.

USP – United States Pharmacopeia. Capítulo geral 911: Viscosity – Capillary Methods. Rockville: USP.

USP – United States Pharmacopeia. Capítulo geral 912: Viscosity – Rotational Methods. Rockville: USP.

BARNES, H. A.; HUTTON, J. F.; WALTERS, K. An Introduction to Rheology. Amsterdam: Elsevier, 1989.

SCHRAMM, G. A Practical Approach to Rheology and Rheometry. 2. ed. Karlsruhe: Gebrueder Haake, 2000.