A calibração de equipamentos laboratoriais é um requisito técnico essencial para garantir a confiabilidade dos resultados analíticos e a conformidade com a ISO/IEC 17025. Mesmo métodos bem executados podem produzir resultados inválidos quando instrumentos de medição estão fora de calibração, sem rastreabilidade metrológica ou com registros incompletos.
Este conteúdo integra o Manual Prático de Rotina Laboratorial e aprofunda, de forma aplicada, como estruturar a calibração, quais equipamentos são críticos, como definir frequências, quais erros evitar e como se preparar para auditorias.
📘 Este artigo faz parte do Manual Prático de Rotina Laboratorial.

O que é calibração e por que ela é obrigatória?
Calibração é o conjunto de operações que estabelece a relação entre os valores indicados por um instrumento e os valores correspondentes de um padrão de referência rastreável, sob condições especificadas.
Na prática, a calibração garante que:
Os valores medidos são confiáveis
Os resultados são comparáveis e reproduzíveis
O laboratório atende aos requisitos normativos
Os laudos têm validade técnica e jurídica
Sem calibração adequada, não há garantia metrológica — e isso compromete todo o processo analítico.
O que a ISO/IEC 17025 exige sobre calibração?
A ISO/IEC 17025 (Requisito 6.4 – Equipamentos) estabelece que o laboratório deve:
Utilizar equipamentos adequados ao uso
Manter equipamentos calibrados e/ou verificados
Assegurar rastreabilidade metrológica
Manter registros completos e atualizados
Identificar claramente o status do equipamento
📌 Ponto crítico: não basta calibrar; é obrigatório comprovar a calibração por meio de registros e certificados válidos.
Equipamentos laboratoriais que exigem calibração periódica
Todo equipamento que impacta diretamente o resultado analítico deve ser calibrado. Entre os principais:
Balanças analíticas e semi-analíticas
pHmetros
Pipetas volumétricas e automáticas
Termômetros
Estufas
Banhos-maria
Câmaras climáticas
Condutivímetros
Cronômetros (quando aplicável)
📌 Dica prática: se o equipamento mede, controla ou influencia um parâmetro crítico, ele deve entrar no plano de calibração.

Como definir a frequência de calibração?
A ISO/IEC 17025 não fixa uma frequência única. A definição deve considerar:
Criticidade do equipamento
Frequência de uso
Histórico de desvios
Recomendação do fabricante
Exigência de métodos ou clientes
Exemplo de referência prática
Equipamento Frequência comum
Balança analítica 12 meses
pHmetro 6 a 12 meses
Pipetas 6 meses
Termômetros 12 meses
📌 Importante: a frequência deve ser justificada e documentada.
Rastreabilidade metrológica: o que significa na prática?
Rastreabilidade metrológica é a propriedade de um resultado de medição poder ser relacionado a padrões de referência reconhecidos, geralmente por meio de uma cadeia ininterrupta de calibrações.
Na prática, isso significa:
Certificados emitidos por laboratórios acreditados
Referência a padrões reconhecidos
Incertezas informadas
Identificação clara do instrumento
Sem rastreabilidade, a calibração não atende à ISO/IEC 17025.
Principais falhas encontradas em auditorias
Entre as não conformidades mais frequentes relacionadas à calibração, destacam-se:
Certificados vencidos
Equipamentos sem etiqueta de status
Falta de rastreabilidade metrológica
Uso de equipamento bloqueado
Certificados arquivados, mas não controlados
Ausência de plano de calibração
📌 Essas falhas costumam gerar não conformidades graves.
Indicadores de desempenho relacionados à calibração
Para manter o controle efetivo, recomenda-se acompanhar:
📊 % de equipamentos calibrados dentro do prazo
Meta: 100%
📊 Número de desvios relacionados a medição
Meta: tendência de redução
Esses indicadores ajudam a identificar riscos antes que se tornem problemas.
Integração da calibração com a rotina do laboratório
A calibração deve estar integrada à rotina, não tratada como evento isolado. Boas práticas incluem:
Etiquetas visíveis com status
Bloqueio físico de equipamentos vencidos
Controle centralizado de certificados
Revisão periódica do plano de calibração
Treinamento da equipe
📌 Calibração eficaz = rotina + controle + disciplina.
🌡️ Equipamentos calibrados também precisam operar em condições controladas
O controle de temperatura é um dos fatores que mais impactam a validade dos resultados.
Base normativa e regulatória
ISO/IEC 17025 – Requisito 6.4 (Equipamentos)
Diretrizes de rastreabilidade metrológica
Boas Práticas de Laboratório
Regulamentos específicos conforme área de atuação
FAQ – Perguntas Frequentes
Todo equipamento precisa ser calibrado?
Todo equipamento que impacta diretamente o resultado analítico ou a confiabilidade do ensaio deve ser calibrado.
Posso usar equipamento fora da calibração?
Não. O uso de equipamento fora da calibração invalida resultados e gera não conformidade grave.
Calibração interna é aceita?
Depende do equipamento, do método e da capacidade técnica do laboratório. Deve haver rastreabilidade e validação.
🌡️ Próximo passo no manual
Garantir medições confiáveis também exige controle rigoroso das condições térmicas no laboratório.
👉 Controle de Temperatura em Laboratório: Boas Práticas e Normas Aplicáveis
Conclusão
A calibração de equipamentos laboratoriais é um pilar inegociável da qualidade analítica. Atender aos requisitos da ISO/IEC 17025 exige mais do que certificados arquivados: exige controle ativo, rastreabilidade e integração com a rotina do laboratório.
Laboratórios que tratam a calibração como parte estratégica da operação reduzem riscos, evitam retrabalho e aumentam a confiabilidade dos resultados.
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